Entrevista: Quando o treinamento encontra a inteligência artificial

Enquanto os treinamentos presenciais ocupam ainda hoje um lugar importante nas estratégias de RH das empresas, o digital learning continua sua ascensão e as novas tecnologias se multiplicam para enriquecer a experiência de aprendizagem.
O encontro entre a aprendizagem online e a inteligência artificial (IA) sugere que ela será o centro das inovações no mundo do trabalho e, particularmente do treinamento…
Entrevista com Raphaël Droissart, Chief Technology Officer da Learning Tribes.

Raphaël, você é o Chief Technology Officer da Learning Tribes e cofundador da start-up My Mooc. De onde vem esse interesse pelo digital learning e as novas tecnologias?

Quando o MOOC se tornou popular por volta de 2012, eu achei a ideia que as universidades tiveram absolutamente fascinante: romper os limites de acesso ao conteúdo das maiores universidades, tornando-o disponível a todos os internautas e tudo isso de maneira lúdica e colaborativa! A segunda coisa que me atrai mais é o desafio de adaptar as novas tecnologias (realidade virtual, inteligência artificial…) ao mundo do treinamento, a fim de proporcionar às pessoas o treinamento mais eficiente possível e de colocar o engajamento dos alunos no centro dos métodos de formação.

Como você definira a inteligência artificial, cada vez mais citada em sua área?

A inteligência artificial (IA) é primeiramente um termo que representa um grande ecossistema de conceitos por si só. No mundo do treinamento online, ela assume a forma de novos recursos digitais para melhorar a experiência dos alunos em suas trilhas de treinamento. Ela parte da interpretação de dados (normalmente em tempo real) para ajudar, aconselhar, facilitar e otimizar a aprendizagem. Bill Gates disse uma vez: “A tecnologia é simplesmente uma ferramenta. Para que as crianças trabalhem juntas e permaneçam motivadas, o professor é o mais importante”. O treinamento a distância rompeu o ato social que tínhamos no treinamento presencial através do instrutor. Eu acredito que a IA pode resolver esse desafio.

Quando você pensa que ela terá um impacto real no mundo do trabalho, e mais particularmente no mundo do treinamento?

Ela já tem um impacto: o “adaptive learning”, os “learning analytics” são uma primeira etapa para essa evolução. Se eu me projetar em 2 anos, eu já posso ver os “AI community managers” em nossos treinamentos, os learning bots aconselhando os colaboradores sobre quais treinamentos seguir para alcançar seus objetivos profissionais e muitas outras inovações que já estão batendo à nossa porta.

Há aproximadamente um ano você colabora com o UtseuS, o campus da Universidade de Tecnologia de Shangai e estuda de perto a IA, o “machine learning”, o “adaptive learning”… Em que ponto está sua pesquisa?

Com o UTSEUS, nós podemos desfrutar de um grupo brilhante de engenheiros franceses trazendo uma perspectiva externa sobre nossas inovações e o mercado de treinamento. Isso é muito benéfico nas nossas pesquisas: eles nos dão feedbacks, soluções inovadoras através de seus diferentes cursos e abrem portas para novas tecnologias. Nossas pesquisas ainda estão em andamento e nós nos concentramos hoje no machine learning como um meio de cálculo e interpretação das ações dos alunos em tempo real, seja ações virtuais no decorrer do curso ou ações físicas através do estudo do comportamento do aluno durante o treinamento (por exemplo: eye tracking).

Na sua opinião, qual será o treinamento do futuro?

Eu não posso me precipitar muito nessa questão e dar uma resposta certamente utópica. Eu diria sem dúvida alguma que é preciso primeiro dar uma olhada fora do mundo do treinamento, sobre o desenvolvimento da Internet, os precursores em termos de novas tecnologias de informação. O passado nos mostrou que o treinamento sempre soube se adaptar às novas tecnologias como gatilho de inovações para a Edtech. Para mim esse é o ponto de partida para imaginar o treinamento do futuro…

Inteligência Artificial

>>> Descubra os últimos artigos de Raphaël Droissart publicados no Linkedin e na imprensa online:

L’Usine Digitale : Comment l’intelligence artificielle va bouleverser l’EdTech ?

Linkedin Pulse : Adaptive learning : décryptage d’une tendance parfois galvaudée !


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